O CORPO HUMANO: Sistema imunológico.

O sistema imunológico está intimamente relacionado com a mente e o sistema nervoso, ele é essencial à nossa sobrevivência, sendo a parte mais complexa e menos compreendida da nossa biologia. Isso é porque ele está sempre mudando. À medida que novos inimigos surgem, este sistema encontra o desafio e é transformado.


O sistema imunológico é o sistema de defesa do nosso corpo contra todas as coisas estranhas a ele. Nosso sistema imunológico não só é eficaz em matar, mas também em comunicação e memória, além disso ele sinaliza outras células quando precisa de ajuda. É um grande grupo especializado. A olho nu ele é invisível. Ao contrário dos outros sistemas onde vemos um centro, como o coração ou o cérebro, o sistema imunológico é singular porque está por toda parte do corpo e está sempre em movimento.


Em um nível microscópico, nossos corpos vivem lutando com o meio ambiente. O responsável por administrar de forma eficaz essa luta é o sistema imunológico. Nossa pele tem células muito especiais que criam um limite entre nós e o mundo exterior. A pele é o maior órgão do corpo humano e ela nos mantém vivos, ela é a base do sistema imunológico. Desde o momento em que nascemos, somos expostos ao ambiente externo e aos raios do sol, mas também somos expostos ao ambiente extremamente complexo que é gerado no interior do corpo.


A camada externa da nossa pele é como uma parede de tijolos, e essa parede respira. É composta de células que se juntam para impedir a entrada de raios UV e objetos estranhos. O óleo gerado em cima dessas células é antibacteriano e forma uma espécie de primeira linha de defesa do corpo. Em nossos dois metros quadrados de pele existem dezenas de milhões de células imunes que são ativadas quando há uma ameaça. Por mais difícil que seja, às vezes algo acaba ultrapassando a camada superior. Insetos microscópicos ou micróbios podem pegar carona em quase tudo, e quando o fazem, ocorre uma reação imediata no sistema imune.


Na parte externa dos micróbios existem pequenas moléculas chamadas antígenos. O sistema imunológico do corpo é treinado para reconhecer antígenos estranhos e antígenos amigáveis, e quando ele reconhece os estranhos um ataque em cascata é iniciado. Embaixo da camada superficial da pele existe outra, ela é 20 vezes mais grossa. Quando algo externo vai fundo o suficiente, as células imunes sentem na hora e enviam sinal ao corpo, o sangue é enviado diretamente para a área danificada, os glóbulos brancos ou neutrófilos entram em ação e comem os micróbios. Para a maioria de nós uma inflamação pode parecer algo ruim, mas na realidade é a maior prova de que as células imunes estão fazendo seu trabalho corretamente.


Depois que a infecção é controlada o corpo tem que reparar o local onde o micróbio passou. O corpo tem a sabedoria inata de se consertar, alguns tecidos têm uma maior capacidade de se regenerar do que outros. Como a pele, por exemplo, que está sempre se regenerando. Mesmo sem violações externas, perdemos cerca de 40 mil células da pele por minuto, ou 50 milhões por dia. Quando uma ferida é cicatrizada, a camada externa de células morre e cai, de toda forma abaixo delas há células que reabastecem a pele acima, e essas células têm uma memória. O dano gera inflamação, o que sensibiliza as células para que reajam o mais rápido possível da próxima vez. A pele que já foi danificada antes pode se curar duas vezes mais rápido.


É importante confiar no que acontece dentro do corpo e no que ele pode fazer fisicamente no mundo exterior. Se sua pele não está hidratada, ela não pode fazer o que precisa fazer: proteger o seu sistema imunológico. Mesmo forte, a capacidade do sistema imunológico de nos proteger não é inabalável, pois ela depende da saúde do corpo como um todo. A água é essencial para a função imune, e essa função é monitorada pelo cérebro. A sede é regulada principalmente pela parte do cérebro chamada hipotálamo. No hipotálamo existem receptores que detectam a concentração do sangue e decidem se precisamos de mais fluido para diluir o sangue, ou se estamos bem hidratados, com líquido suficiente no corpo.


Os rins também desempenham um papel, como tudo no corpo, é um trabalho em equipe que envolve vários órgãos. O corpo está sempre atento a quantidade de água, porque ela é essencial para tudo, principalmente na limpeza de toxinas. O fluido flui através de nós, conduzindo as bactérias e outras toxinas aos gânglios linfáticos para destruí-las. Esses grupos de células imunes são como pequenos filtros que fazem a limpeza do nosso ambiente interno. A desidratação não ajuda o sistema, pois sem água o lixo não pode ser eliminado com tanta eficiência, o que debilita a função imune. A desidratação pode desencadear uma infecção.


A hidratação envolve diretamente o cérebro, ele tem uma capacidade de regular os hormônios que afetam a temperatura corporal, a homeostase básica, então, no calor sufocante do dia, a temperatura corporal é naturalmente mais alta, o que provoca sudorese, com um suor mais diluído. Esse processo deixa mais sal dentro do corpo, o que serve como uma reserva de energia. Manter a temperatura corporal é fundamental para a nossa sobrevivência, por isso também é fundamental se aquecer no inverno. É uma negociação constante entre o corpo e a natureza.


Nós, seres humanos, somos sobreviventes inatos. Não estaríamos aqui se alguém do nosso passado não fosse um bom sobrevivente. Isso é verdade para todos no planeta. A marca registrada da nossa espécie é saber inovar, criar, superar e se adaptar. Perdemos a fé em nossas habilidades. Não precisamos dominar a natureza, mas sim saber como viver nela. É importante nos reconectarmos com a natureza, porque ela ensina sobre nós mesmos.


O corpo humano é muitas vezes caracterizado como se fosse fraco. Ao nos comparar com predadores como leões ou tigres, não temos dentes nem garras afiadas, não somos muito fortes para o nosso tamanho. De toda forma, como humanos, podemos sobreviver às situações extremas. O sistema imunológico é muito eficaz em defender nossos corpos. Entramos em contato com milhares de patógenos ou micróbios todos os dias, sejam nas bancadas de cozinha, nas maçanetas e até ao sentar no metrô. Na maioria das vezes, nem percebemos, mesmo assim o nosso corpo sabe o que fazer. Sendo assim, por que algumas coisas nos deixam doentes e outras não? O que a ciência esclarece é que cada sistema imunológico é diferente e seu funcionamento é constantemente alterado, desde o nascimento. Mesmo que você compartilhe DNA, uma casa, ou no caso de gêmeos, um útero, o sistema imunológico de cada pessoa é único, como uma impressão digital.


O QUE DEFINE O SISTEMA IMUNOLÓGICO?


A natureza ou a criação? O que afeta a suscetibilidade às doenças?


As duas coisas. Como exemplo, em gêmeos com o mesmo material genético, existem fatores que são geneticamente predeterminados, mesmo assim não são fixos. Pense porque as pessoas ficam doentes. Muita gente é exposta à gripe, alguns ficam muito doentes, outras pessoas são pouco afetadas e algumas nem chegam a ficar doentes. Isso tem a ver com a saúde do hospedeiro, que também pode ser chamada de teoria do terreno. O seu terreno é o seu sistema imunológico. Em nosso DNA existem pedaços de códigos que determinam a qualidade da saúde antes de nascermos.


Como o câncer na família ou como uma mutação genética ajudam a prever a probabilidade de uma doença, há aspectos do nosso sistema imunológico que recebemos de nossas mães antes de nascer. O ato das mães de transmitir anticorpos aos fetos, é chamado de imunidade passiva. O que é muito importante para proteger o feto e o recém-nascido enquanto o seu sistema imunológico ainda se desenvolve. Junto com os nutrientes que o bebê recebe da mãe no útero, ele também absorve seus anticorpos - essas substâncias são resíduos de infecções que ela enfrentou ao longo da vida. Milagrosamente a mãe pode passar essa proteção para o filho através da placenta, mesmo que uma infecção tenha ocorrido há décadas.


Um bebê não será imune a tudo, mas recebe anticorpos suficientes para se manter seguro em seu primeiro período de vida. Após alguns meses, os anticorpos começam a desaparecer, quando o bebê entra em contato com micróbios e aprende a se defender.


O que encontramos, e quando, é importante para diferenciar os sistemas imunológicos de cada pessoa. Em nossa infância entramos em contato com os micróbios ao redor, é assim que o sistema imunológico os vê e diz: "Vou lembrar desse estranho". É o mesmo que fortalecer um músculo. Se não flexionar ele não ficará mais forte. Quando um corpo jovem tem que se defender, as células liberam anticorpos que matam a ameaça, outras células se recordam de como reproduzir esse anticorpo. Então, se o mesmo inseto voltar ele pode morrer instantaneamente. São os mesmos anticorpos que um dia poderão ser passados para a próxima geração.


O sistema imunológico é treinado desde cedo, e diz: "Não é nada. Podemos ignorar" ou " Isso é sério, alerta vermelho. Precisamos fazer algo" e esse treinamento parece ser essencial.


Crianças que têm contato direto com a natureza parecem ter vantagens, pois adoecem menos. Crianças que não são expostas logo cedo aos germes ficam em desvantagem e correm maior risco de desenvolver doenças, porque o sistema imunológico não saberá agir quando ocorrer algo depois.


Ao passo que envelhecemos o treinamento do sistema imunológico envolve uma grande variedade de células, com trabalhos diferentes. Há um tipo de célula que carrega a maior parte do peso, são as chamadas células T, elas são a casa de força do nosso sistema imunológico, são elas que ajudam a produzir anticorpos que afastam as doenças. Também desempenham a função de sinalizar para outras partes do sistema imunológico e podem matar células que são ruins por conta própria. As células T se lembram das coisas, pois têm um componente de memória, essa memória celular auxilia a evitar futuras infecções ou doenças.


Motor do sangue, essas células nascem na medula óssea, depois migram para glândula Timo, e é na timo que as células T passam por um sério treinamento e aprendem diferentes habilidades. Algumas células T saem da Timo como Assassinas. Outras surgem como uma inteligência capaz de lembrar de um vírus, para sua rápida identificação e execução. Por causa de toda essa ação, a timo é maior nas crianças, e atinge o pico do seu tamanho na adolescência.


Ao observar o que acontece na natureza e o que os animais fazem, podemos ver que existem muitos paralelos entre o reino animal e nós humanos. Conforme nos afastamos da natureza ficamos cada vez mais doentes. Como exemplo, os cavalos rolam na terra porque nela há bactérias oxidantes de amônia, essas bactérias têm o poder de neutralizar o suor e ajuda na limpeza do pelo. Saindo e suando, todas as coisas que funcionam bem no reino animal, também funcionam bem com os humanos.


A exposição a animais pode aumentar o nível de proteção do nosso sistema imunológico. De toda forma, é uma faca de dois gumes. Os animais podem ser a fonte de algumas das doenças mais devastadoras. As doenças zoonóticas têm várias formas e tamanhos, e algumas são assustadoras. Existem animais que são hospedeiros e que transmitem algo para os humanos, pode ser uma aranha ou um mosquito. Isso pode representar uma ameaça à saúde pública, o que pode vir a piorar no futuro. A peste bubônica, a malária, gripe suína, zika, a covid-19.


Muitos dos surtos mais letais podem ser atribuídos à vida selvagem, à nossa relação com os animais e uns com os outros. Isso não acontecia com os nossos ancestrais. Isso porque com o tipo caçador-coletor, a força de doenças infecciosas é baixa. Hoje, há muitos indivíduos que vivem em grupos grandes e próximos, que interagem uns com os outros, e isso cria condições para uma pandemia.


À proporção que a população cresce, novos surtos se tornam mais frequentes. Observando os erros do passado, o que podemos aprender com aqueles que enfrentaram pragas e sobreviveram?


Os vírus causam milhares de mortes todos os anos. A maioria vem de doenças que conhecemos, como a gripe ou vírus HIV. Então, quando uma doença que está escondida em uma caverna obscura vai para um humano e começa a se espalhar, é motivo de alarme, especialmente em lugares com recursos limitados. Muita gente não tem acesso à saúde, podem ter uma emergência e não ter dinheiro para pagar, não podem ao menos ver um médico.

Embora os surtos mortais acabem sendo lembrados como batalhas épicas, toda epidemia que já assolou a humanidade remonta a algo imperceptivelmente pequeno. Há alguns patógenos muito agressivos ou perigosos, e muito disso tem a ver com o mecanismo de ação ou em como atacam nossos corpos.


Uma célula, se posto de maneira simples, é uma unidade básica de vida. É a menor unidade funcional que a vida pode ser. Pode-se dizer que os vírus são um pouco menores. Um vírus é um pequeno agente biológico que tem o objetivo central de entrar nas células, se reproduzir e se espalhar para outros hospedeiros, e no meio do caminho pode causar muitos danos.


Os vírus surgiram da quintessência, há 1,5 bilhão de anos. O fato de estarem entre nós há tanto tempo mostra que são bons no que fazem. Quando um vírus entra em uma célula hospedeira, ele a sequestra, fazendo-a cuspir várias novas partículas virais, que saem da célula para a corrente sanguínea. Um vírus não quer colonizar apenas aquele hospedeiro, ele quer se espalhar pela população.


No caso de uma contaminação, o sistema imunológico continua lutando, as células T se concentram nas células infectadas, se ligam à superfície e liberam toxinas que viajam pelas células e matam o vírus. Outras células T disparam mísseis químicos, na forma de anticorpos, que detém o vírus em todo o corpo. Assim que o sistema imunológico ganha vantagem, os sistemas do corpo voltam a funcionar e os tecidos danificados começam a se curar.


O sistema imunológico precisa de um certo equilíbrio para matar intrusos sem danificar o corpo no processo, e quando a ameaça vem das nossas próprias células esse trabalho fica ainda mais difícil. Agora, a vanguarda da imunologia é a busca para entender como aproveitar o poder do sistema imunológico.


E QUANDO NOSSOS PRÓPRIOS CORPOS SÃO NOSSOS INIMIGOS?


A ciência tem estudado porque nosso sistema imunológico não é bom em reconhecer o câncer. Por que nossas células, às vezes, saem do planejado?


Nosso DNA é só uma molécula, que não é perfeita e é propensa a sofrer danos ao longo do tempo. Se o DNA nas células for danificado eles podem perder a capacidade de se dividir perfeitamente. As células possuem um relógio interno que dizem quando devem se dividir e crescer, e quando desacelerar e morrer. Ocasionalmente, um botão é acionado diz: “Continue dividindo, não pare”. Quando as células não morrem como deveriam, se matam e matam células saudáveis, e isso interrompe o equilíbrio do corpo. Quando isso acontece, é ao sistema imunológico que entra em ação. Sem que você saiba, todos os dias seu sistema imunológico apaga a centelha do Câncer. Como exemplo: A ironia da leucemia, a triste ironia, é que às vezes as células de combate ao câncer fazem diferente - os glóbulos brancos na medula óssea começam a se dividir sem parar, interrompendo a produção de sangue, causando um colapso no organismo.


O atual tratamento médico disponibilizado pela medicina tradicional é a quimioterapia, e ela pode ter consequências devastadoras a longo prazo. Há estudos atuais que usam o próprio sistema imunológico para combater o câncer. O conceito de imunoterapia parece ficção científica, mas, no fundo, é uma ideia muito simples. Nosso sistema imunológico é projetado para nos proteger, a questão é que o câncer geralmente vem do próprio corpo. O sistema imunológico não é ensinado a reconhecê-lo como ruim. A imunoterapia explora e ensina o seu sistema imunológico a reconhecer as células do câncer como ruins.


O câncer é uma doença celular e cada uma de nossas células têm sua própria inteligência. Interagir com nossos corpos nesse nível, como ecossistemas compostos de trilhões de células, pode nos mostrar uma nova forma de ver a saúde e a doença, podemos ver tudo isso de uma maneira mais sutil. Há um século os cientistas perceberam que podiam tratar o câncer ativando intencionalmente o sistema imunológico, como injetar uma bactéria ou um vírus.


A tecnologia de edição de genes permite educar o sistema imunológico no nível do DNA e assim atingir o câncer. O DNA é editado e para confirmar que a imunoterapia está funcionando, os médicos procuram por febres, dores e náuseas causadas por sinais químicos que o sistema imunológico envia para reunir as tropas de defesa. As células que foram reprogramadas atacam e matam a leucemia, promovendo a remissão do câncer. A imunoterapia é um novo viés da ciência. Podemos usar o próprio sistema imunológico para tratar o câncer. O futuro da oncologia não mais será a quimioterapia e radiação, será um remédio de alta precisão, será a imunoterapia.


Veja pelo que os humanos passaram, fome, desastres naturais e doenças de vários tipos. Temos a incrível capacidade de nos adaptar às circunstâncias e perseverar como espécie. Somos muito resilientes. Nossa capacidade de sobreviver remonta ao potencial ilimitado desse sistema. Por um sentido intuitivo podemos aprender a confiar na capacidade de nosso corpo, pois as nossas células sabem o que fazer. Mesmo assim temos o potencial de ampliar a capacidade natural de cura do corpo, de ir além dos reparos do corpo e de pensarmos no próximo nível, que a cura verdadeira.


Fonte: Texto baseado no documentário: CORPO HUMANO: Nosso mundo inter