O CORPO HUMANO: Pulsação.

Cada um de nós é um amontoado de células, algo em torno de 37 trilhões. Temos pequenos cérebros por todo o corpo, e o coração tem um grande cérebro. Descobertas científicas recentes comprovaram que no ‘cérebro do coração’ há cerca de 40 mil neurônios.


A conexão entre o cérebro e o coração é complexa, e não é unilateral - no coração há nervos que vão para o cérebro e nervos que vem do cérebro. As estruturas do cérebro regulam o coração por impulsos nervosos e por hormônios. É no cérebro que as emoções e os pensamentos são processados, mesmo que às vezes não pareça ser assim.


Se sentimos as coisas no coração, será então que ele tem uma mente própria?


Se há neurônios no coração, talvez o poder dele sobre as emoções não seja só poético, mas também biológico.


O cérebro e o coração estão conectados pela rede neural mais poderosa do corpo: o nervo vago. Ele transmite milhões de mensagens todos os dias, a grande maioria não vem do cérebro, mas sim do coração. Essa rede é responsável por comunicar as emoções. As interações sociais positivas iluminam o nervo vago no coração. Em outras palavras, nossos relacionamentos moldam nosso mundo interior.


A ciência já descobriu que pessoas que vivenciam alterações emocionais como o luto por um ente querido ou término de um relacionamento amoroso podem desenvolver efeitos graves em seus corações. O coração, nessas pessoas, tende a enfraquecer e mudar para a forma de um Takotsubo - que é um vaso japonês com pescoço estreito e uma base larga. Este fenômeno tem sido chamado de “síndrome do coração partido” ou cardiomiopatia de Takotsubo. Atualmente sabemos que o estresse emocional pode acelerar o desenvolvimento de doenças cardíacas e aumentar o risco de morte cardíaca. A causa exata da mudança no formato do coração é desconhecida, acredita-se que uma superdose de adrenalina inunda o coração, causando choque nas células cardíacas e consequentemente enfraquecendo-as. A adrenalina promove uma das principais formas de comunicação entre o cérebro e o coração, e o risco de se desenvolver a Síndrome de Takotsubo tem a ver com a força das conexões neurais e com a reação delas ao estresse.


As mesmas regiões do cérebro que regulam os batimentos cardíacos estão ligadas a condições emocionais, como a depressão. Mas, ao contrário de um ataque cardíaco, as células cardíacas ficam em choque. Felizmente grande parte do dano no coração é reversível, pois o coração tende a se corrigir. Quando o estado emocional volta ao normal, o próprio coração também pode voltar.


Há um tipo de Cardiomiopatia de Takotsubo ou “síndrome do coração partido” que ocorre após as coisas felizes, mas o formato do coração muda de modo diferente. Do mesmo modo que a adrenalina pode danificar as células cardíacas, outros hormônios podem ter o efeito oposto. E há uma molécula que está mais associada ao comportamento social complexo dos humanos: A ocitocina, também chamada de "hormônio do amor". Pense na sensação de abraçar um amigo ou dançar com um estranho. Essa agitação vem quando a ocitocina dispara e vai para o coração. Assim como o medo pode fazer seu coração acelerar, a ocitocina liberada pelo toque pode acalmá-lo. Receptores de células cardíacas detectam sua presença e sua frequência cardíaca diminui. A ocitocina igualmente ajuda a reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos, este hormônio pode ter um efeito terapêutico no corpo todo, incluindo artérias e veias estressadas. As interações sociais estimulam a produção de ocitocina e beneficiam o coração, o amor parece milhares de breves encontros ao longo da vida. Pessoas em relacionamentos duradouros tendem a viver mais. A conexão cérebro-coração está definitivamente presente.


Texto baseado no documentário - CORPO HUMANO: Nosso mundo interior "Pulsação".

Imagem: Internet.